
O que fazer quando aquilo que procuramos está bem em nossa frente? Sempre há a procura por algo, algum sentido para existirmos, alguma explicação, dentro de nosso, para a vida. E dificilmente aceitamos o que é mais óbvio, que não precisa fazer perguntas para se obter as respostas, já que as respostas podem vim sem nenhuma pergunta. Apesar de ser tão claro ainda assim tentamos formular perguntas, muitas vezes nem é pelo fato de querermos saber de onde que as respostas vieram, mas pelo simples fato de querermos dar algum sentido à nossa existência. E muitos se perdem nessa significância, ficando até “cegos” para aquilo que está bem na nossa frente.
Pelo Conto de Edgar Allan Poe intitulado “A Carta Roubada” temos Dupin e uma agente da polícia, Monsieur G..., ambos com seus métodos, incumbidos de usá-los para solucionar o caso da carta roubada. Quem a tivesse usufruiria de plenos poderes sobre uma determinada pessoa da qual a carta em questão é a verdadeira dona.
Ambos, Dupin e G..., utilizam determinado método para encontrar a carta e ambos tendo o perfil do ladrão.
O método usado por G... era um meio quantitativo partindo de uma análise indutivista. Mas como acontece nos erros indutivistas que são levados a observações com uma dedução equivocada, foi o que aconteceu com as investidas ao usurpador.
Pelo indutivismo diz-se: Observações padronizadas a partir de um único fato, se a padronização consistir na mais perfeita normalidade, então se tem a dedução que seria o fato explicado chamado de afirmação universal. Porem no método indutivo há um erro crucial que pode-se ser chamada de “a exceção”. Seria assim: eu começo a observar um corvo e ele é preto, em seguida observo mais ou menos 1.000 corvos e todos eles são pretos, logo, constato em minha dedução que visa se lógica que todos os corvos são pretos e fico feliz com esta minha descoberta, portanto um belo dia passeando por uma praça eu vejo com meus olhos um corvo de cor amarela, o que me entristece, pois minha teoria foi pro lixo.
E foi essa exceção que Monsieur G... não conseguiu detectar em suas observações. Ele observando o usurpador deduziu que este era um tolo por ser poeta ( aqui ao meu entender, a questão da tolice está na transparência, imagina-se que todo poeta é um “livro aberto” por ser saber o que pensa) e assim usou de sua lógica um método quantitativo. Afastando-o de seus aposentos para melhor analisar pormenorizadamente, enquanto que o ladrão permanecesse afastado. Sem falar que Monsieur G... inspecionada o ladrão através de “batedores de carteiras” e nada encontrava em suas vestes, até que em seu desespero G... procura por Dupin. Quando este pergunta o que foi usado para tentar encontra a carta, aquele lhe responde que fora usado de tudo até o mínimo esconderijo que a carta poderia ficar foi vasculhada. Mas foi a partir de quando G... começou a falar do perfil do ladrão que Dupin soube aonde que o detetive errou e pediu-lhe um prazo para lhe entregar a carta.
Dentro do prazo estava Dupin entregando a carta ao detetive de polícia e depois a explicar ao narrador/personagem como obterá a posse da carta. Relatando que o policial só via o ladrão como um irracional ao método dedutivo por ser poeta, porem o malfeitor também era um matemático e nisso raciocinava mais do que se fosse somente um ou outro. Como o malfeitor sabia das futuras investidas da polícia ele usou de sua lógica ao pôr o fruto de seu roubo bem aos olhos da polícia, mas que ficaria invisível também para os mesmos por causa de seu método quantitativo que não visa em olhar o lógico, o que está claro, para visar somente os pormenores buscando apenas quantidade sem se importar da confiabilidade das informações recebidas. Atreves disso Dupin soube onde procurar e ao visitar o usurpador quem também era seu conhecido, ele (Dupin) foi ao único lugar que de tão óbvio passou despercebido pelos investigadores, um porta-cartas.
Às vezes para se achar algo que procura não é preciso quantidade e, sim, qualidade e saber observar aquilo que está diante de nós.
