Hoje venho dar uma triste notícia a vocês, meus caros leitores. Vou enfrentar uma morte certa, mas não sem antes lutar, pois morrerei com herói. Que definição meio ordinária esta de herói. "lute pela pátria e morra como um herói de guerra", coitado dos soldadinhos de chumbo. Muitas vezes é chato ler em uma narração fatos detalhados que, muitas vezes, podem ser até irrelevantes. A leitura se torna um tanto peculiar, um tanto gasta. É chato, mesmo! Por isso que também muitas vezes o escritor dar um pulo no tempo, podendo ser enorme, só resumindo alguns fatos relevantes na narração. Tem vezes que a passagem de tempo nem é percebida a não ser por alguns diálogos de personagem aí se percebe uma alteração temporal. Sem mais delongas quero dizer que já estou há uns três meses que estou exilado no shopping. A orda de mortos-vivos parece que aumentou. Bem que aquele que pensaram em alguns sobreviventes aqui no shopping poderiam ter deixado algumas granadas, pelo menos matava dez sem gastar dez balas, meros detalhes. Tenho que escrever rápido, a orda apodrecida, em fim, arrombaram a porta de acesso. Também quero falar que nessa passagem de tempo fiquei sem energia, o gerador falhou e meus dias e noites era no teto do prédio, só no bronzeado e no banho de lua. Deixa ver: Tô armado até os dentes, já achei um local onde deixar meu diário, porque sei que os zumbis não sobreviverão, já que como eles estão em estado de putrefação, andando na luz do Sol só irá apodrecer mais rápido a carne. Agora, imaginem o fedor! Outra coisa: não notaram que eu comecei com um baile de máscaras, assim, criticando a sociedade humana e de repente eu vou para uma ficção, no meu caso não é ficção, e é como se mudasse a história? Pois é, maior chatisse, começar com algo depois muda-se totalmente o foco deste algo e ainda mais não consegue suprir essa mudança, assim se perdendo no enredo. Alguns até conseguem supera esta mudança que às vezes está em uma sequência indireta dos fatos. Mais ou menos assim: o enredo da estória muda, sai, totalmente, daquele núcleo, mas fica sequenciado por causa da ambientalização, personagens, essas coisas. Só que no meu relato eu não mudei nada, já que a sociedade, os indivíduos, muitos deles, de tão alienados com as doutrinas dos sistema perdem sua capacidade de pensar por si, acabam se tornando zumbis, no modo metafórico da palavra. Melhor eu ir e lutar até meu último suspiro, mas antes deixarei-vos uma citação:
"Ela teria de morrer, mais cedo ou mais tarde. Morta. Mais tarde haveria um tempo para esta palavra. Amanhã, e amanhã, e ainda outro amanhã arrastam-se nessa passada trivial do dia para a noite, da noite para o dia, até a última sílaba do registro dos tempos. E todos os nossos ontens não fizeram mais que iluminar para os tolos o caminho que leva ao pó da morte. Apaga-te apaga-te, chama breve! A vida não passa de uma sombra que caminha, um pobre ator que se pavoneia e se aflinge sobre o palco - faz isso por uma hora e, depois, não se escuta mais uma voz. É uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria e vazia de significado."
(Macbeth assim fala ao saber da morte da esposa. Macbeth de W. Shakespeare.)
Adeus!
Continuação do texto "Baile de Máscaras"
