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sábado, 9 de julho de 2011

17. O Adeus de um homem

Hoje venho dar uma triste notícia a vocês, meus caros leitores. Vou enfrentar uma morte certa, mas não sem antes lutar, pois morrerei com herói. Que definição meio ordinária esta de herói. "lute pela pátria e morra como um herói de guerra", coitado dos soldadinhos de chumbo. Muitas vezes é chato ler em uma narração fatos detalhados que, muitas vezes, podem ser até irrelevantes. A leitura se torna um tanto peculiar, um tanto gasta. É chato, mesmo! Por isso que também muitas vezes o escritor dar um pulo no tempo, podendo ser enorme, só resumindo alguns fatos relevantes na narração. Tem vezes que a passagem de tempo nem é percebida a não ser por alguns diálogos de personagem aí se percebe uma alteração temporal. Sem mais delongas quero dizer que já estou há uns três meses que estou exilado no shopping. A orda de mortos-vivos parece que aumentou. Bem que aquele que pensaram em alguns sobreviventes aqui no shopping poderiam ter deixado algumas granadas, pelo menos matava dez sem gastar dez balas, meros detalhes. Tenho que escrever rápido, a orda apodrecida, em fim, arrombaram a porta de acesso. Também quero falar que nessa passagem de tempo fiquei sem energia, o gerador falhou e meus dias e noites era no teto do prédio, só no bronzeado e no banho de lua. Deixa ver: armado até os dentes, já achei um local onde deixar meu diário, porque sei que os zumbis não sobreviverão, já que como eles estão em estado de putrefação, andando na luz do Sol só irá apodrecer mais rápido a carne. Agora, imaginem o fedor! Outra coisa: não notaram que eu comecei com um baile de máscaras, assim, criticando a sociedade humana e de repente eu vou para uma ficção, no meu caso não é ficção, e é como se mudasse a história? Pois é, maior chatisse, começar com algo depois muda-se totalmente o foco deste algo e ainda mais não consegue suprir essa mudança, assim se perdendo no enredo. Alguns até conseguem supera esta mudança que às vezes está em uma sequência indireta dos fatos. Mais ou menos assim: o enredo da estória muda, sai, totalmente, daquele núcleo, mas fica sequenciado por causa da ambientalização, personagens, essas coisas. Só que no meu relato eu não mudei nada, já que a sociedade, os indivíduos, muitos deles, de tão alienados com as doutrinas dos sistema perdem sua capacidade de pensar por si, acabam se tornando zumbis, no modo metafórico da palavra. Melhor eu ir e lutar até meu último suspiro, mas antes deixarei-vos uma citação:

"Ela teria de morrer, mais cedo ou mais tarde. Morta. Mais tarde haveria um tempo para esta palavra. Amanhã, e amanhã, e ainda outro amanhã arrastam-se nessa passada trivial do dia para a noite, da noite para o dia, até a última sílaba do registro dos tempos. E todos os nossos ontens não fizeram mais que iluminar para os tolos o caminho que leva ao pó da morte. Apaga-te apaga-te, chama breve! A vida não passa de uma sombra que caminha, um pobre ator que se pavoneia e se aflinge sobre o palco - faz isso por uma hora e, depois, não se escuta mais uma voz. É uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria e vazia de significado."

(Macbeth assim fala ao saber da morte da esposa. Macbeth de W. Shakespeare.)

Adeus!





Continuação do texto "Baile de Máscaras"

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Baile de Máscaras - parte VI

15. O homem é animal por natureza e por isso tem instintos que não passam de animalescos, nada humano. Somos assassinos, porque não matamos por sobrevivência como os outros animais, nem para proteger o nosso território, mas por prazer. è por prazer que fazemos guerras, que fabricamos armas letais só para matar um ao outro de várias formas que pensar. Puro prazer! O que é o sexo? A exposição deste instinto assassino. Quando estamos a sós com o parceiro ou parceira, perpetuando o ato sexual, temos o mais puro animalismo natural do ser, o que é pior, é apenas prazer. Mas o que o sexo tem a ver com assassínio? Ambos são prazer, dão prazer, os dois são instintos animais de preservação ou auto-preservação. No homem tanto um como o outro além de vir do prazer, são ocasionado pela raiva, esta emoção que os aproxima do lado animal. O sexo é como matar alguém, traz vigor e de certo modo alívio por saber que foi feito algo que lhe deu prazer, que fora desejado, com alguém antes cobiçado e até colocado em um altar como algo divino e assim satisfaz sua raiva, acalmando-o. A diferença é que matar é algo mais absoluto e sexo se pode fazer varias vezes com a mesma pessoa. Portanto o sexo é um assassinato progressivo, porque aos poucos se vai matando a pessoa que é sua parceira. A imagem divina que antes tinha vai se denegrindo, o ato em si vai se tornando algo absoleto, desinteressante, nem sente tanta raiva como sentia antes e por não sentir tanta raiva, não se tem tanto prazer, virou algo mecanizado, mas há o dever contínuo por está com esta mesma pessoa, por afeto, por simpatia e, às vezes, para não se sentir só. Esse afeto é o que nos torna humano, mas o animal também sente afeto, mas o que nos distingue é a capacidade de inventar nomes para um mesmo sentimento: amor, paixão, gostar, amizade. Pelo visto o diferencial do humano pro animal é a fala e a capacidade de inventar. Então, nesse apocalipse, como não tem mulher, para expor meu instinto animal, para ter prazer e eu posso matar sem culpa, então eu vou matar, talvez achar uma ex minha zumbizada. Depois venho aqui escrever como é que foi.


16. Aí ele disse:
- Toma essa sua cretina desgramada. É sem rancor, apesar de você ter me largado pra voltar a ser corneada pelo seu ex barrigudo e trinta ano mais velho. Toma essa, sua cretina ingrata! É sem rancor, porque sei que se fosse eu nesta tua situação, você faria o mesmo por mim.
Eu disse que encontraria uma ex minha. Vinguei-me. hehehe. Tô aliviado. Foi como fazer sexo!





(continua)

terça-feira, 5 de julho de 2011

Baile de Máscaras - parte V

11. Só uma observação para fins temporais: Já estou há quatro dias aqui enclausurado neste monumento do consumismo desenfreado e meu colesterol ta indo pelos ares com hamburgueres, principalmente da McDonald's, milkshake e muito chocolate, mas também malho aqui na academia. Porém tô tentando comer um pouco de verde, não sou muito fã, mas tenho que mostrar algo saudável além das porcarias que ando comendo.


12. Foram 12 tiros certeiros na cabeça e só quatro erros, total de 16 tiros. Tô melhorando minha pontaria. Só que dá um desanimo saber que não há ninguém para você compartilhar aquilo que aprendeu. Quero lembrar quem foi o fi da égua safada que disse que o homem é só por natureza, se fosse assim não teríamos o dom da fala para no comunicarmos e também seríamos assexuados. Abstinência agora forçada!


13. Pensando aqui: se pretendo lançar um livro com meus relatos de sobrevivência. Quem iria publicar? Por que se realmente eu sou a lenda e esta infestação de zumbis afetou o mundo todo? Além de não ter final feliz ao final do meu relato, também não terá ninguém para ler e muito menos para publicar. Oh vida! Mas sempre há um jeito para se resolver as coisas, só não se desesperar e perder a esperança só porque a situação é desesperante. Meio irônico isso! Porém prefiro viver até o último suspiro do meu ser a mim entregar a uma vida escravocrata em que até o pensamento é policiado. Lembrei de "1984" de George Orwell. Dando uma revisada em meus escritos lembro que já falei um pouco desta opressão paranóica que é dita no livro do autor, então não irei comentar de novo apesar de já ter comentado alguma coisa por agora. Só que mesmo que ninguém leia e nem chegue a ser publiacado - o que é uma pena - eu gosto de escrever, é terapêutico, isso não só Freud explica, mas vários outros psicólogos, psicanalistas, psicopedagogos e lá vai o escambal, todos estes explicam e ainda mais na situação que me encontro. Não tenho ninguém com quem falar, já que temos a necessidade de nos comunicar, pelo menos tenho a escrita.



14. Acho inacreditável as pessoas nem se lembrarem da família nessas horas de horror. Digo, seus avós, primos, tios. A personagem sempre se atém àquela família próxima, de preferência que more na mesma casa que ele. De vez em quando os filmes de horror retratam os parentes distantes, mas quase nunca. Quisera eu aqui fosse um filme, só sei que eu sou o único que sobrou, pelo menos até alguém aparecer.




(continua)

Baile de Máscaras - parte IV

8. Quer saber de uma? Nem sei como entrei neste shopping deserto e a zumbizada não. Vai ver eu sou mais esperto que eles, afinal são um bando de gente alienados pelo sistema. Sabe por que eles gostam tanto de cérebro? Também pensei, como muitos de vós que aqui me lêem também pensou, que era pra ficar mais inteligente. Mas não! É apenas uma forma de corromper o outro, tirando dele sua liberdade pra obedecer ao "sinhôzinho" sem questionar. Que sinhôzinho é este? Ora essa! É o senhor de escravos, o bicho papão, o boi da cara preta, entre outras expressões adjetivadas que servem para dar nome ao algoz do pensamento livre. É sério! Falta pouco para temos "homens dedos", "polícia do pensamento", entre outras coisas que os paranóicos ficcionistas escreveram durante o século XX. De fato tenho esta imensa galeria de lojas diversas só pra mim. Vou aqui dá uma vasculhada nesse antro da perdição.


9. Querido diário, será que alguém vai ler estes meus escritos de como sobrevivi ao "apocalipse now", talvez se emocionar com o meu tedioso relato? Passei a vista por este shopping, vi num livro de registros que os donos aqui fecharam dois dias antes da zumbizada aparecer. Bando de cretinos! Eles sabiam e não disseram nada. Ainda continuo sem saber como entrei...! Será que vão fazer um livro dos meus escritos?!


10. Pensando aqui: se eu sou a lenda e como homem tenho necessidades sexuais, todas as mulheres tão zumbizada, com certeza serei casto forçadamente agora. A não que faça como alguns personagens de filme de paródia. O cara pegou uma possessa e apenas pôs um saco na cabeça dela e aproveitou. Achou que vou fazer isso, pegar uma zumbir gostosinha, pôr um saco na cara dela e bombardeá-la de perfume, para tirar o cheiro do podre. Mas pensando, de novo: eu devo ficar bem protegido, já que não seria só uma DST que iria pegar..., daria muito certo não! Acho que devo procurar uma viva-viva e não morto-viva, mesmo que ela seja gordinha, estriada, desdentada, com um olho faltando, a cartilagem da orelha murcha, cabelo palhoso, pelos na cada, um seio maior que o outro, uma perna mais fina e menos que a outra, é mulher. Mas acho que prefiro me arriscar com uma morto-viva se as condições da viva for como eu citei. Tô aqui inestimavelmente lutando para não ir para a ala de eletrônicos e, além do mais, eu tô vivendo já aquilo que jogava nos games, então nem tem tanta importância. Por falar nisso vou dar uma olhada na sala onde fica a vigilância e, devo dizer, encontrei um belo arsenal de armas, estilo Resindet Evil. Daqui a pouco vou testar a minha mira na zumbizada, no alto do prédio, ao estilo "Madrugada dos Mortos". Falar nisso vou assistir "Amanhecer dos Mortos" que é o original e é crítico ao consumismo e outras babozeiras que já relatei antes. Portanto, agora irei me preparar..., acho que os capitalistas aqui donos deste prédio, pensou um pouco nas pessoas que poderiam adentrar para se proteger. Se bem que nem acredito nisso. O capitalista não tem alma, não tem coração, na verdade não só o capitalista, mas os donos do poder, os "capitães do mato". E caro senhor editor, por favor só editei o meu português que sei que é mal escrito, o resto é entreterimento, sei que vamos ter várias reuniões antes de lançar este meu relato em livro, pois sairei desta vivo, mas caso o final não seja feliz, mais uma vez, por favor respeite minha vontade! Tô indo lá pegar os trabuco e brincar um pouco de tiro ao alvo.






(continua)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Baile de Máscaras - parte III

5. Vejo um shopping, esta alameda cheia de lojas e outras cositas para nos zumbizar. Tô indo lá me esconder desta zumbizada que encontro até aqui na rua. Eu não sou a lenda, ninguém se lembrará de mim. Só sou mais um a tentar escapar da "zumbização" que, primeiramente, a cultura nos impõe, depois vêm os sistemas. De toda forma é tudo humano. Os fortes dominam os fracos! Sei que vou encontrar outros sobreviventes, lá.


6. Coitado! Ali vejo um renomado indivíduo de reputação altamente religiosa, era um bispo, amado pela sua comunidade e adorado pela crianças. Agora está podre, caindo aos pedaços. Usou uma máscara tanto tempo escondendo uma face perversa, que esta face se deteriorou em sua perversão. Era tão bom com as meninas e os meninos, chamavam-os todos à sua casa. Entravam agitados e saiam calados. Por que será? Ninguém acredita nas crianças, acham que elas têm uma imaginação muito fértil. Nem quando saiu no jornal que o renomado bisco fazia brincadeira sexuais com as crianças, sem falar de seus pupilos, coroinhas e protegidos. A comunidade não abalou sua fé, todos preferiram tapar seus ouvidos, fechar seus olhos e ai de uma criança falar mal do demônio angelical. Muitas vezes a religião cega, ensurdece e corta a língua dos indivíduos, tornando-se zumbis da fé. Maltratam suas crianças, esses homens santos e isso é uma obra divina. Até o bispo mostrando sua podridão sem sua máscara que te dar respeito, há zumbis em volta, seguindo-o. Um morto não pensa, mas muitos vivos preferem não pensar, permanecendo na ignorância do ser: são mortos-vivos e nada mais! Hummmmmm! Adoro chocolate, vou parar nessa loja de chocolate. Por falar, eu já to no shopping, é tão bom ele vazio, parece aqueles filmes de zumbis, ah é, eu to dentro deles, literalmente. Na verdade os filmes de zumbis, como já disse um pouco anteriormente, é uma crítica à sociedade e seu sistema não só capitalista, apenas uma metáfora, já foi dito o fato deles irem pro shopping e blábláblá. Eu mesmo só tô seguindo o roteiro, sei que vou encontrar outros sobreviventes aqui. Agora vou me lambuzar no chocolate. Legal, chocolates de vários tamanhos e sabores diferente!



7. Tô ocupado, parei aqui na Cacau Chocolat's LTDA para encher a pança com estas guloseimas gulosas. Doces ou travessuras? Com certeza são doces. Dane-se a orda de zumbis lá fora, por enquanto eu sou a lenda e tenho minha máscara ainda intocada. A diferença de euzinho com a orda lá fora? Eu digo que penso e por isso existo e muitos dizem apenas sim senhor e obrigado sou seu escravo! Adoro chocolate!





(continua)