
1. Aí ele chega para a senhorita ...a* pedindo ela em namoro e centenas de pessoas q passam pelo local param para testemunhar este momento. A garota olha para ele, olha para o publico, dinovo pra ele e responde: - Só gosto de você como amigo. Desculpe-me! *: a última letra do nome da garota.
2. "Só gosto de você como amigo. Desculpe-me!" Essa frase ñ lhe saia da cabeça. Ele estava em uma poltrona, num quarto escuro - já era noite, a luz estava apagada. Ao ouvir esta frase por ela como resposta, todos ao redor o olhava, um mendigo chegou pra ele, com a mão direita encostou no ombro esquerdo dele, pelas costas: - É cumpade, ela é muita areia pro seu caminhãozinho. E saiu rindo.
3. De tão aturdido q estava com a resposta ele nem ouviu o comentário do mendigo, só depois q estava sozinho em sua poltrona q ele percebeu q o ruido da boca do mendigo era palavras de gozação para com ele. Porem no momento ele apenas olhava para ela e seus lábios puderam formular a perguntar q sua cabeça já formulara minutos antes: - Por quê?
4. "Por quê!?" repetiu ela. "Porque somos amigos, eu o considero com irmão, nos conhecemos desde pequeno e ñ nos desgrudamos mais. Pra você eu contava tudo, fazíamos tudo juntos. Nunca imaginei você como homem, você é meu parceiro. Eu o amo, mas ñ deste jeito q vc quer. Na verdade nunca tinha pensado em nós assim!"
5. Assim, tanto ele como ela começaram a conversar, lembrando de suas infâncias, de suas brincadeiras juntos, dos segredos até das caricias q trocavam, porem de um modo inocente, por ainda serem consideradas crianças. Ele se lembra q um dia, quando tinha 10 e ela 9, eles brincando diante de uma árvore, prometeram nunca se separar, jurando em um pacto de amor secreto.
6. Era só eles dois, as pessoas q escutavam ao redor, q passavam olhando pra eles, ñ existiam mais. Claro q o publico ainda os assistia, só q eles, tanto ele como ela, estavam tão focados na prosa entre os dois q é como se ñ existisse público. Ele ria em silencio, no escuro do quarto onde estava e pensou: "Estava tão focado nela q nem notei q estávamos em um local público e com o respectivo público. Caso contrário...!"
7. Caso contrário nem ele, nem ela teriam falado o q foi dito, nem dito o q foi falado, nem ouvido e nem escutado. Assim, os dois estavam ali. Eles faziam parte de um espetáculo da vida real, interpretando seus próprios papeis. Dois atores atuando em um dialogo q os espectadores assistiam e sabiam q também falavam deles, em partes. O enredo falava de um amor puro, de amizade, negação, esperança e..., VIDA!
8. Muitos dizem q a vida é como um teatro: se tem enredo, cenários, atores e os espectadores q em alguns espetáculos têm a liberdade de interferir na estória...; Ñ irei descrever como era ele nem ela, só direi q era um homem e uma mulher. Ele pensa sentado em sua poltrona: "Tudo na vida é determinado por detalhes, mesmo mínimos!"
9. Ele era um homem, ela uma mulher; foram crianças e como crianças brincavam e faziam tudo juntos, até simulavam casamento entre ambos, q teriam muitos filhos e q seriam, ambos, exploradores, nunca ficando em um lugar somente e envelhecendo juntos. Ele foi o primeiro dela e só teve ela, assim como ela a ele e agora ela dizia NÃO a ele...
10. Porém ele vê, olha, flerta nos olhos dela, uma certa tristeza ao negar seu pedido, ele até percebe ou imaginou q percebeu naquele momento q ela deixara escapar uma ou duas lágrimas do olho direito. "E q olhos..., q belo olhar aquele, o dela." - ele pensa. Copiarei Machado de Assis: "Eram olhos de cigana, oblíquos e dissimulada"; Aqueles olhos q tragavam qualquer um, q hipnotizavam...
11. "Eram olhos de feiticeira. Enfeitiçava todos a quem ela olhava" - assim ele pensa olhando a foto dela q estava num porta retratos q ficava numa mesinha ao lado da poltrona. Nesta mesinha também tinha um abajur q ele teve de ligar para ver a fotografia. Ver a beleza dela, o encanto, as vibrações de um coração puro e angelical q ela tinha. Ele a amava! E mesmo ela dizendo ñ no momento oportuno, ele ñ iria desistir dela.
12. O público assistia quando ele chegou perto dela, com a mão direita, tocou o sua testa, olhando seu rosto, seus olhos, seu nariz, seus lábios. Passou a mão sobre o cabelo dela indo à nuca, com a outra mão pegou-lhe na cintura e a puxou, assim, abraçando-a enquanto dizia: "- nós já somos amigos e sempre seremos e por isso q eu amo você!"; ela em resposta...: "- também te amo muito, mas tenho medo q ñ dê certo..."
(continua)
(*): nome provisório

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