
Estava eu sentado no bando em uma mesa qualquer no meio e entre qualquer coisa no lugar onde eu estudo. Olhando ela passar, ele passar, elas passarem, eles passarem, ela e ele passarem e assim vice e versa; e eu sem nem ela nem ele para ao menos poder fazer o que todo animal faz e todo humano faz melhor que os outros animais, se comunicar formulando palavras. Porém como não tinha ninguém, só observava sem falar nada, mudo, o que para muitos é um sufoco, já que a gente até das minhocas estamos falando.
Foi assim que fiquei por um tempo e por um tempo meditei de olhos abertos vendo o povo )humanos, gatos, cachorros, micos, ar, folhas) passar. De lá pra cá, de cá pra lá. Muitas historias e estórias. Emoções e decepções. Mas assim é a vida.
não precisa fechar os olhos pra meditar, nem ficar numa postura chata ou insuportável. Apenas saber pensar parado por um momento. Consigo pensar melhor assim do que de olhos fechados, fico meio agitado. Pois bem, eu a vida ali andando pela mesa, era verdinha e foi amor a primeira vista. Peguei-a na mão e ela dançava em meus dedos. Fui à biblioteca estudar e ela tava lá. As pessoas olhavam impressionada pela nossa afeição. Éramos duas almas livres, duas crianças e a batizei carinhosamente de Albertina.
Era danada a Albertina! Dançava em minha mão, lançava tuas teias. Era tão bonito. Soltava ela no livro e a arainha parecia ler, conhecida todas as palavras. Nunca me esquecerei dela. Me lembro perfeitamente de como ela era: oito patas, quatro em cada lado, era verde totalmente e brilhava no Sol.
Não irei mais profundo porque aqui é só uma lembrança compartilhada e não uma história ou estória de nossas aventuras. E por isso devo dizer que em um belo momento e sair da biblioteca e fui a uma praça. O banco parecia tão reconfortante, tão chamativo e a brisa da tarde não ajudava. Cair no sono! Quando acordei Albertina tinha sumido. Notifiquei o ocorrido aos meus amigos e colegas ou, simplesmente, conhecidos humanos, gatos, cachorros, micos, árvores, ele nem se importaram. Bando de insensíveis! Pobrezinha, tão jovem!
In memorian: Albertina, a aranha verde

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