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terça-feira, 21 de junho de 2011

27. Joe fala de coisas para Marie


Joe chamou e Marie o acompanhou. Os dois andavam pela área verde da cidade. Era, mais ou menos falando, um parque botânico onde eles estavam. Joe começa a falar: "- Veja as árvores, sinta o ar, ouça a natureza. Imagine que este parque é uma extensão da natureza e não só uma parte. Não somos nada comparados a isso aqui. Esta terra que pego em minha mão, desta areia nós humanos somos menos que um grão qualquer desta fração de terra, mesmo assim imaginamos ser deuses capazes de criar. Pergunto: criar o que? Temos a imaginação como o maior atributo de nossa capacidade de pensar, mesmo assim agimos como animais que não pensa. A nossa imaginação é o que nos faz diferentes dos outros animais, através deste ato de pensar que raciocinamos, cremos em ideologias, criamos deuses para nos salvaguardar, mesmo assim, continuamos a nos portar como animais e ainda pior que animais, nos portamos como um vírus. o extra terrestre que nos filmes são pintados como parasitas que vão de planeta a planeta, ocupando-os, destruindo a espécie nativa e usurpando o que são deles, nada mais é que um alter ego da humanidade. O humano é o próprio extra-terrestre em sua própria terra. A gente é menos que um grão de areia nesse imenso areal que é o universo. Muitos se perdem tentando achar um objetivo na vida, um motivo e se desesperam por ser tão pequenos ou ficam loucos bancando deus. Posso ter um lar, uma casa de concreto, paredes, ser quentinha, posso ter trabalho que pague o colégio das crianças e a faculdade, no futuro, posso ter carro importado, posso ter tudo, só que o tudo não seria nada se não tiver a natureza em si como meu lar. Livros trazem conhecimentos de outros que procuram a essência da vida, aquilo que dá objetivo, mas não explica nada. O verdadeiro conhecimento está em conhecer a si próprio e seu lugar na existência. Se cremos em almas gémeas, destino ou amor estamos presos e somos escravos da nossa criação. Falamos tanto em liberdade, a liberdade está na crença de si mesmo, na vida, na morte, no tudo e no nada, não em ideologias como religião, política ou em ídolos - não só falo da idolatria em um suposto herói, em um santo, mas na idolatria do ser; não é preciso mostrar pro mundo que você estuda, tem boa família ou um namorado dedicado e um emprego descente, ou saber falar de certas coisas que para muitos não são nada. O importante é viver, não pelos outros, mas por você mesmo, sem ser escravizado por ideologias, idolatrias, paixões. Uma folha em uma árvore, ela começa pequena, cresce em sua cor verde e quando ta envelhecendo notamos que ela fica amarelada até não conseguir mais se sustentar presa na árvore, caindo, a vida é assim e somo parte dela. Por que querer ser deuses eternos e imortais? Por que não apenas vivemos sem nos perguntar o porque de está vivo? Por que sentimos simpatia por uns e outros não? (...) Perguntas e perguntas. Pensemos, mas não em perguntas, mas na beleza da natureza." Ele olhou para Marie e viu que ela também o olhava e sorriu para ele.

Ps.: este fragmento é algo solto que não é tão direto aos acontecimentos da estoria.

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