Foi assim, caro senhor detetive:
Eu o usava todo o tempo, tínhamos quase, se não, dez amos de convívio, já era um casamento. Ele (a calça) andava sempre comigo, fomos a shows juntos. Na época em que era meio exotérico e meio gótico, eu sempre exigia ela - continua sendo a calça, vou começar a mim referir como ela. Claro que nesses anos o seu botão de abotoar já foi trocado duas vezes, sua aparência estava um pouco desgastada, mas ela era a minha xodó.
Só que o SISTEMA que nos envolve sempre querem nos aprisionar em seus mundinhos em que eles são os soberanos e nós, os vassalos. No meio em que vivo existe esta rede conspiratória para nos dominar, mas não os culpo, senhor detetive, já que antes de mim eles sofreram esta dominação através de agentes que num passado ñ tão distante, comparado há um século, eles também era livres. E assim se faz uma reação, se fez uma reação em cadeia, um efeito dominó que por mais que fujamos não conseguimos fugir definitivamente.
A calça era minha, ninguém tinha o direito de leva-la de mim. Sentir-me nú, sem roupa e, de fato, tô ficando sem mesmo. Que eu saiba, roupa é para ser vestida e contanto que cubra o tal pecado original que os religiosos sempre falam já tá de bom tamanho pra mim. Só que esta calça era especial, ela foi uma parte de mim. Era era preta, já ficando sem cor, meio cano largo e o botão que tava nela era grande.
Tive também uma camisa azul que também dedicava muito a ela, já não a usava porque sabia dos olhares tortos dos agentes do SISTEMA, Porém, resolvi usa-la um dia com uma outra camisa, esta vermelha de botão e cair em desgraça, o agente me viu com a camisa e para mim obrigar a troca-la e me humilhar , chegou perto de mim e rasgou-a, mas esta a mantenho ainda em posse com a camisa vermelha.
Tive uma outra calça do tempo de colegial, era tinha rasgões nos joelho e desbotada nos calcanhares. Era toda largona, era uma jeans já clara, sem o azul habitual, era minha calça punk. Fiquei um tempo sem usa-la, quando fui relembrar os velhos tempos, ela havia sumido e os agente do SISTEMA em sua dissimulação disseram não saber. Um outro ente querido meu era minha bicicleta que carinhosamente a chamava de Carine, íamos pra todo o canto dos quatro cantos da pequenina não muito pequena cidade em que moro, era meu meio de locomoção até que um dia ela não estava mais lá, também havia "sumido misteriosamente". Eu sei, senhor detetive, que por trás de todos esses "sumiços" têm os agentes do SISTEMA.

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