
Ele andava, não precisava saber aonde ia, apenas andava. Se ali tinha ladrões, acolá tinha um milhionario distribuindo dinheiro, não importava. Ele saiu e os outro viram ele sair, pensaram que iria voltar, só que a ideia não era esta, nem ele sabia qual era a ideia. Mas o bom na vida é a sua imprevisibilidade. Por mais que queiramos ser previsíveis, prever cada movimento, sempre acontece algo que não estava nos planos. Este momento era um deles. Todos pensaram que ele iria voltar, os olhos encheram de lágrimas tanto de que ficava como de quem ia. Porém não poderia mostrar-se fraco e acabar voltando, teria que se provar, andar com os próprios pés, mesmo que o futuro seja apenas um caminho nublado sem saber a direção ou o caminho que está tomando. Quando estava parado ele sabia o seu caminho, que direção tomar, é o normal da dita civlização humana, do sedentarismo que se tornou a espécie humana. Só que ele não queria ficar parado, tinha que fazer algo. Agora andava sem direção e em todas as direções possíveis. Era uma sensação boa de liberdade e pureza, pois não se sentiu mais corrumpido pelo SISTEMA e as instituições que o formava. Não sabia se conseguiria sobreviver já que fora sempre domesticado, desde que nasceu uma vida doméstica, ele pensava que a necessidade iria prevalecer quando se tratasse de sobreviver, afinal ele também era um animal mesmo que os seres humanos rejeitarem esta denominação classificatória para o ser que sua espécie era. A vida agora o ensinaria, seria sua mestra, sua tutora, sua professora.
E ele apenas andava porque era um andarilho.

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